Inteligência artificial em diálogo 

Inquietações com a "tal" inteligência artificial

Com a palavra, a jovem
Por Ana Júlia Cardoso dos Santos
Estudante de Jornalismo

Ao pensar em inteligência artificial, diretamente faço conexão com a profissão que futuramente vou atuar que é ser jornalista. Faço parte de uma geração que cresceu com o mundo digital inserido em minhas vivências, consequentemente, cresci com novas tecnologias sendo inventadas e descobertas a cada ano. Entretanto, foi durante o ensino médio e graduação que houve um contato maior com essas mudanças e a compreensão sobre os seus desdobramentos e ferramentas, como o ChatGPT.

No meio da comunicação, comenta-se muito sobre como será o futuro das profissões com esses avanços tecnológicos. Jornalistas ao redor do mundo debatem a defesa de diretrizes sobre os limites do uso da inteligência artificial. Ter um manual sobre a utilização dessas ferramentas é cada vez mais necessário nas redações, visto que, em algumas produções de conteúdos feitas por IA já apresentam erros de informação.

As ferramentas podem ser uma oportunidade de avanço em questão de tempo e praticidade, mas também uma grande ameaça para os veículos de comunicação, justamente por afetar o recurso mais importante do jornalismo: a transparência. É primordial que qualquer conteúdo jornalístico seja o mais claro possível para o seu público, fator determinante que muitas vezes é afetado negativamente por essas tecnologias.

Ao analisar as notícias acerca dos perigos e desafios da IA frente aos jovens, é destacado que cada vez mais as realidades serão afetadas por essas ferramentas. Um exemplo disso, são as recorrentes situações em que são feitas produções de vídeos de figuras públicas/especialistas propagando falsas informações sobre determinados assuntos, ocasionando uma incidência ainda maior de fake news. Tal prática, torna mais custoso o trabalho dos jornalistas e reforça a necessidade de impor limites ao manusear a inteligência artificial.

Em relação ao contexto dos jovens contemporâneos, percebe-se que cada vez mais nas salas de aula são abordados temas que dissertam sobre os perigos da inteligência artificial e seu uso consciente.

O ideal é fortalecer projetos que defendam o uso consciente dessas tecnologias, para que se possa ter mais conhecimento acerca dos seus benefícios e malefícios, e assim, manuseando-a com expertise e para fins necessários. Mas afinal, a IA veio para ficar mesmo ou é algo passageiro? Em que pé está o seu avanço hoje?

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A tal da inteligência artificial

Com a palavra, o especialista

Por Lucas Boscaini
Engenheiro de Software com mais de 15 anos na área de P & D, especializado em tecnologias emergentes e inovação.


A ideia de máquinas inteligentes não é nova e pode remeter a década de 40 com Allan Turing e a concepção da teoria da computação, sendo a computação um meio que vem habilitando transformações na sociedade desde então. Apesar dos robôs humanoides e veículos autônomos que ainda causam certa estranheza no século XXI, o desejo por ferramentas autônomas em prol da humanidade já era discutido desde os tempos antigos por Aristóteles e Alexandre, o Grande, como forma de eliminar a necessidade de mão de obra escrava predominante da sociedade da época.

Já o termo inteligência artificial (IA) foi detalhada na Universidade Stanford pelo professor John McCarthy em 1950, e desde lá, a tal da IA tem ganhado cada vez mais espaço na nossa vida em funções cada vez mais diversas e abrangentes, desde uso em jogos com personagens cada vez mais realistas a diagnósticos médicos mais precisos, das IAs mais diretas e visíveis como sua Alexa ao muitas vezes despercebido mecanismo de recomendações em compras online.

Chegando nos dias de hoje, temos as IA generativas (GenAI contação do inglês Generative Artificial Intelligence), que assim como o nome já sugere é um conjunto de técnicas capaz de gerar novas informações a partir de uma entrada inicial. As IAs desse tipo são treinadas ou ensinadas a partir de grandes conjuntos de dados desmembrando e classificando os pequenos pedaços de informação para então usar esses pedaços para calcular a mais provável saída para a entrada fornecida, por exemplo a GenAI pode calcular que ao receber o texto ‘Oi’ a resposta mais frequente em sua base de dados de aprendizado é ‘oi’ em segundo ‘olá’, e assim por diante. Com isso, as GenAIs simulam muito bem a linguagem humana criando respostas em texto, imagem, áudio e vídeo.

Para contextualizar o impacto da GenAI, podemos olhar para a geração e consumo de conteúdo digital hoje. Nesse momento onde o consumo de informação tem se tornado mais democraticamente acessível pelo advento da internet e o fenômeno das redes sociais, novos tipos de profissionais têm surgido com YouTubers e influenciadores digitais, que se tornaram o meio comum para muitas pessoas aprenderem e se informarem. Esses criadores de conteúdo precisam não só ter as ideias criativas assim como gerar o conteúdo em uma velocidade muito alta, o que necessita cada vez mais de investimento em grandes estruturas para ampliar a qualidade e reduzir o tempo até a publicação do conteúdo. No cenário atual, a GenAI é capaz reduzir esses custos e a barreira de acesso a conteúdos, tornando o trabalho menos oneroso e até mais personalizado para o gosto de quem consome. Uma vez que a GenIA estaria gerando o conteúdo e transformando o mesmo no formato desejado por cada pessoa para aquele determinado momento, seja em formato de vídeo, imagem, áudio ou texto. Trazendo a liberdade para o consumidor informar também o grau de profundidade e detalhe desejado, desde um vídeo curto, a longos artigos em texto.

Ao diminuir as barreiras para geração de conteúdo, vemos impactos positivos para facilitação do consumo de informações e ampliação das formas de aprendizado. Mas isso também traz ameaças no campo de geração de informações falsas, mal intencionadas e prejudiciais ao indivíduo e a sociedade. Da mesma forma que esse mesmo tipo de IA consegue reduzir o trabalho mais manual e amplificar as capacidades de uma pessoa, também traz o questionamento sobre como tornar essa tecnologia acessível a todos e de compreensão de todos, para que não se torne um ponto de exclusão dos menos favorecidos.

A evolução tecnológica tem possibilitado coisas incríveis a nossa sociedade, mas sempre que uma nova tecnologia aparece e se estabelece devemos nos perguntar sobre os impactos positivos e negativos sabendo que cabe a nós, como humanidade, decidirmos o uso ético e benéfico da tecnologia para a criação de uma sociedade próspera e justa. A tal da IA pode trazer novas formas de aprendizado, de profissionais, e de soluções para problemas atuais, mas para isso precisamos entender as capacidades e oportunidades que a IA pode nos trazer, e ajudar a conduzir as transformações que essa tecnologia está fazendo na nossa sociedade, principalmente pensando em formar os jovens de hoje em profissionais e cidadãos para esse futuro.